Vulnerabilidades em Bitwarden, LastPass e Dashlane
Pesquisadores revelam falhas em Bitwarden, LastPass e Dashlane. Entenda os riscos, o que mudou em 2026 e como proteger suas senhas.
Gerenciadores de senha se tornaram ferramentas essenciais para quem leva segurança digital a sério. Eles prometem armazenar credenciais com criptografia forte e simplificar o login em dezenas de serviços. Porém, novas pesquisas acadêmicas reacenderam um debate importante: até que ponto essas soluções são realmente infalíveis?
Um estudo recente conduzido por pesquisadores da ETH Zurich e parceiros identificou vulnerabilidades relevantes em três dos serviços mais populares do mercado — Bitwarden, LastPass e Dashlane. As falhas não significam necessariamente que usuários estejam sendo hackeados neste momento, mas mostram que mesmo sistemas modernos podem apresentar pontos fracos sob determinadas condições.
Neste artigo, você vai entender o que foi descoberto, quais são os riscos reais para usuários e empresas, quais correções já foram feitas e — mais importante — como se proteger de forma prática no dia a dia.
O que os pesquisadores descobriram
A análise técnica identificou mais de duas dezenas de vetores de ataque em gerenciadores de senha baseados em nuvem. No recorte mais citado:
Bitwarden: 12 possíveis ataques
LastPass: 7 possíveis ataques
Dashlane: 6 possíveis ataques
Os problemas foram agrupados em quatro áreas principais:
Criptografia do cofre (vault)
Recuperação de conta
Compartilhamento de senhas
Compatibilidade com criptografia antiga
Os pesquisadores alertam que, sob certas circunstâncias — especialmente se servidores fossem comprometidos — um invasor poderia tentar manipular dados criptografados ou enfraquecer proteções.
Importante: até o momento, não há evidências de exploração ativa dessas falhas no mundo real, segundo os próprios fornecedores.
Principais tipos de vulnerabilidade
1. Ataques de downgrade criptográfico
Um dos achados mais relevantes envolve suporte a criptografia legada. Em alguns cenários, versões antigas de algoritmos poderiam ser forçadas, reduzindo a segurança do cofre.
No Dashlane, isso foi ligado a caminhos de código antigos mantidos por compatibilidade.
A empresa informou que removeu o suporte legado na extensão 6.2544.1.
👉 Tradução prática: sistemas modernos às vezes carregam “heranças” técnicas que ampliam a superfície de ataque.
2. Problemas de integridade do cofre
Os pesquisadores também observaram que alguns gerenciadores criptografam campos individualmente (usuário, senha, URL). Isso pode permitir ataques de “cut-and-paste” criptográfico.
Riscos potenciais:
Troca maliciosa de campos entre registros
Vazamento de metadados
Manipulação de itens do cofre
O Bitwarden foi o mais afetado nessa categoria, embora já tenha corrigido parte das questões.
3. Fragilidades em recuperação de conta
Funcionalidades de recuperação são necessárias para usabilidade — mas também criam riscos.
No LastPass, por exemplo, o estudo apontou que certos fluxos de recuperação poderiam, teoricamente, facilitar a obtenção do cofre sob condições específicas.
A empresa declarou que está trabalhando para:
Fortalecer garantias de integridade
Amarrar criptograficamente campos e metadados
Endurecer fluxos administrativos
4. Clickjacking e autofill invisível
Outra linha de pesquisa recente mostrou ataques de clickjacking contra extensões de navegador.
O método funciona assim:
Um site malicioso cria elementos invisíveis.
O usuário clica sem perceber.
O gerenciador preenche automaticamente.
Os dados são capturados.
O pesquisador Marek Tóth demonstrou que o autofill pode ser enganado por overlays invisíveis que seguem o cursor do usuário.
Boa notícia: vários fornecedores já lançaram mitigação, e alguns nem são mais considerados vulneráveis nessa técnica.
As empresas estão corrigindo?
Sim — e esse é um ponto crucial.
Segundo comunicados públicos:
Bitwarden: várias falhas já corrigidas ou em remediação ativa
Dashlane: removeu criptografia legada e publicou patches
LastPass: trabalha para reforçar garantias de integridade
Além disso, os pesquisadores seguiram o processo de divulgação responsável com janela de 90 dias antes da publicação.
Isso mostra algo importante: o ecossistema de segurança está funcionando como deveria — pesquisadores encontram problemas e fornecedores respondem.
O risco real para usuários
Aqui vai a análise mais honesta: para a maioria das pessoas, o risco imediato é baixo.
Muitos ataques descritos exigem condições difíceis, como:
Comprometimento do servidor do provedor
Ataques criptográficos avançados
Cenários muito específicos de uso
Mesmo assim, especialistas defendem que a indústria precisa evoluir, principalmente porque gerenciadores de senha concentram dados extremamente sensíveis.
Como se proteger agora (passo a passo)
Mesmo com patches em andamento, vale seguir boas práticas clássicas.
✅ Passo 1: mantenha tudo atualizado
Atualize a extensão do navegador
Atualize o app do gerenciador
Atualize o sistema operacional
Muitas vulnerabilidades já foram corrigidas nas versões mais recentes.
✅ Passo 2: use uma senha mestra forte
Regras tradicionais continuam válidas:
Pelo menos 14 caracteres
Mistura de palavras (passphrase)
Nada de reutilização
Lembre-se: várias falhas dependem de senha mestra fraca.
✅ Passo 3: ative autenticação em dois fatores
Mesmo que o cofre seja alvo, o 2FA adiciona uma camada importante.
Prefira:
Apps autenticadores
Chaves físicas (quando possível)
Evite SMS se houver alternativa.
✅ Passo 4: revise o autofill automático
Especialistas recomendam cautela com preenchimento automático.
Configuração mais segura:
Autofill somente ao clicar
Evitar preenchimento automático em páginas desconhecidas
Isso reduz riscos de clickjacking.
✅ Passo 5: monitore alertas de segurança
Fique atento a:
Comunicados do fornecedor
Notificações de login suspeito
Relatórios de violação
Usuários atentos historicamente sofrem menos incidentes.
O futuro dos gerenciadores de senha
A tendência é clara: mais rigor criptográfico e menos confiança implícita em servidores.
Pesquisadores defendem:
Criptografia autenticada obrigatória
Separação mais rígida de chaves
Modelos formais de segurança
Avanço das passkeys
Ao mesmo tempo, especialistas lembram que, apesar das falhas teóricas, gerenciadores de senha ainda são muito mais seguros do que reutilizar senhas manualmente.
Conclusão
As novas pesquisas sobre Bitwarden, LastPass e Dashlane servem como um alerta saudável — não como motivo para pânico. O estudo mostrou que até soluções maduras podem ter pontos de melhoria, especialmente em cenários avançados de ataque.
A boa notícia é que os fornecedores já estão corrigindo as falhas e não há evidências de exploração em massa. Para usuários comuns e empresas, o melhor caminho continua sendo manter softwares atualizados, usar uma senha mestra forte e ativar autenticação em dois fatores.
Segurança digital nunca foi sobre confiar cegamente em uma ferramenta, mas sim combinar tecnologia com boas práticas.
Você usa algum desses gerenciadores? Já mudou suas configurações de segurança? Comente abaixo e compartilhe sua experiência. Aproveite também para conferir nossos artigos sobre passkeys e autenticação moderna.
Fontes: The Hacker News, ITPro, CyberSecurityNews, CyberInsider, TechRadar
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