IA da Meta pode simular perfis pós-morte nas redes sociais
Meta registrou patente de IA capaz de simular atividade de usuário mesmo após a morte, levantando debates sobre ética, privacidade e legado digital.
A ideia de que a tecnologia pode mudar o destino da nossa presença digital começa a ganhar contornos mais concretos em 2026. A gigante Meta, responsável por redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, recebeu uma patente que descreve um sistema de inteligência artificial capaz de manter a atividade de perfis online mesmo quando o usuário está ausente por longos períodos — inclusive após sua morte. Esta possibilidade abre uma série de discussões complexas sobre identidade, privacidade, ética e o papel das grandes empresas de tecnologia em nossas vidas. (MediaPost)
Neste artigo, você vai entender o que essa patente prevê, como a tecnologia funcionaria, quais são os objetivos declarados pela Meta e — talvez o mais importante — quais são os debates que essa proposta acende sobre o que significa “vida digital” nos dias atuais. Prepare-se para uma leitura que mistura tecnologia, futuro e reflexões humanas profundas.
O que a patente da Meta realmente descreve
Em dezembro de 2025, a Meta obteve a concessão de uma patente batizada nos documentos como “Simulation of a user of a social networking system using a language model”. (MediaPost) O documento descreve um sistema de inteligência artificial treinado com os dados históricos do usuário, incluindo:
Postagens antigas, comentários e reações;
Mensagens diretas e interações com outros usuários;
Padrões de comportamento que indicam como a pessoa costumava se comunicar. (Business Standard)
A partir desses dados, o sistema poderia criar algo como um “clone digital”, que funcionaria como um substituto virtual — capaz de curtir conteúdos, comentar, responder mensagens e até simular chamadas de áudio ou vídeo, tudo com base no estilo e padrões do usuário original. (The Financial Express)
É importante destacar que esse não é um recurso que a Meta afirma querer lançar imediatamente. A própria empresa informou que a concessão da patente não significa que a tecnologia será desenvolvida ou disponibilizada publicamente. (MediaPost)
Como essa IA funcionaria na prática
O sistema descrito na patente se baseia em técnicas de modelos de linguagem avançados (LLMs) — o mesmo tipo de tecnologia que alimenta assistentes de IA como ChatGPT. (The Financial Express) Aqui está um resumo do que ele poderia fazer:
Coleta de dados históricos: o modelo analisaria toda a atividade pública do usuário na plataforma. (InfoMoney)
Treinamento personalizado: com base nesses dados, a IA aprenderia os padrões típicos de interação e comunicação. (InfoMoney)
Simulação de comportamento: após o treinamento, a IA poderia agir como se fosse o próprio usuário, interagindo com outras contas. (Revista Tech AI)
Engajamento contínuo: isso manteria a conta ativa em conversas, curtidas e até respostas em tempo real. (The Financial Express)
Essa capacidade poderia render um tipo de “presença digital contínua”, podendo ser útil para algumas categorias de usuários — por exemplo, influenciadores que dependem de engajamento constante para manter audiência e receita. (Business Standard)
Por que isso levanta debates tão intensos
Embora a proposta tenha um tom futurista, ela inevitavelmente toca em pontos sensíveis que vão muito além da tecnologia:
Ética e identidade
A ideia de um “clone digital” não é apenas técnica: ela levanta questões sobre quem realmente é responsável pelo conteúdo gerado por essa IA. Uma vez que uma conta começa a responder e interagir sem a presença do indivíduo original, quem detém essa voz? (Revista Tech AI)
Privacidade e consentimento
Se uma IA aprende a partir de dados históricos, até que ponto isso respeita a privacidade — especialmente após a morte, quando o usuário não pode mais decidir? (InfoMoney) A lei sobre privacidade pós-morte ainda é incipiente em muitas partes do mundo, e esse tipo de tecnologia complica ainda mais a discussão.
Processos de luto
Especialistas em comportamento humano sugerem que interagir com um avatar digital de alguém que morreu pode afetar a forma como as pessoas lidam com o luto. Para algumas famílias ou amigos, essa experiência pode ser dolorosa ou até impedir o processo natural de aceitação da perda. (TabNews)
O que a Meta diz oficialmente
A posição da Meta, até o momento, é que a patente representa uma ideia em nível conceitual — e não um produto pronto ou em desenvolvimento ativo. (MediaPost) Isso é uma prática comum no setor: grandes empresas registram patentes para proteger ideias, mesmo que nunca as coloquem no mercado.
Ainda assim, a simples existência deste documento serve como alerta de que tecnologias envolvendo IA, personalidade digital e legado online estão avançando rapidamente e podem fazer parte da próxima grande transformação da internet.
Conclusão
A possibilidade de que uma inteligência artificial possa simular a atividade de uma pessoa nas redes sociais mesmo após sua morte parece sair diretamente de um romance de ficção científica. No entanto, com a concessão de patentes como essa pela Meta, esse futuro está mais próximo do que imaginamos. Tecnologias que mexem com identidade, memória e presença digital não são apenas ferramentas — elas moldam como nos lembramos, como recordamos e até como vivemos o luto. (MediaPost)
O que você acha dessa ideia? Você permitiria que uma IA “falasse por você” depois da sua morte ou prefere que sua história digital simplesmente termine? Comente abaixo!
Fontes
Tech Desk (Indian Express), Business Standard, Dexerto, The Financial Express, Cybernews, TabNews
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